Não faz assim

12 de outubro de 2016
"Não, não faz isso. Não joga tudo pro alto, não me joga fora como um pedaço de comida velha. Não me deixa aqui fora, fora do teu peito. Encontrei em você o meu refúgio, meu lar. O teu toque, o beijo na nuca descendo, aquela marca no pescoço. Minha única saída de emergência era você. Do sexo casual até a vontade de te botar na rua com o idiota do meu coração. Não faz assim, não diz que tudo vai ficar bem, que o tempo vai curar a minha ressaca de você. Eu sei bem como é esquecer um amor que marcou nossa alma, tudo bem? Mas o que eu faço com a ansiedade? Vou andar por aí com medo de te encontrar beijando outra pessoa. Nos jantares com os amigos vou ter que dizer que você foi embora sem nem um amor de despedida é, eu sei que nunca fomos de fazer amor -fazíamos tudo, menos amor- mas custava? Eu não estou me humilhando. É que tem um pedaço seu aqui dentro, e não da pra tirar com cirurgia. Tenho amigos, eles até podem tirar alguns cacos, mas a realidade só quem me dá são seus beijos de manhãzinha. O que faço agora? Não existe uma seta que indique pra onde eu devo ir sem você por aqui. Posso até me consolar com músicas tristes, você sabe, eu tenho uma playlist para cada despedida que demos, mas dessa vez é diferente, a única música que eu queria ouvir é o som da sua respiração, aquela ofegante, dizendo que me ama e que meus olhos são lindos. Não tem remédio que cure, nem vacina que impeça. A saudade que custa fazer moradia em mim tem seu nome estampado no tapete de entrada. Sinto muito incomodar essa hora com as minhas palavras tanto quanto sem sentido, até entendo, também não faz sentido em mim a sua ausência."

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