Carta aberta

23 de maio de 2016
Dedico essa carta a você, mesmo que não vá ler.




Você nunca vai ler isso, você nem mesmo vai saber que isso um dia existiu. Você não vai sentir meu cheiro, aquele que eu tenho quando saio do banho, tem cheirinho de amêndoas. Você nunca vai sentir meu perfume, ele é de marca barata, mas tem cheirinho bom, ele te faria lembrar de mim quando estivéssemos longe. Agora estamos longe, mas você nunca vai senti-lo. Você nunca vai limpar meu batom da sua camisa, ele é matte, é vermelho, ele te faria lembrar de mim. Você nunca vai me ajudar nos momentos difíceis, mesmo que eu tenha ajudado você. Você não vai se lembrar de mim, não como eu lembrarei de você. Você nunca procurará meu sorriso por aí, pelo menos, não como eu procuro o seu. Você nunca vai me procurar nos lugares, em todos os momentos, como eu procuro você. Você não vai se lembrar de mim, porque você não tem nada que possa te fazer lembrar. Você não marcou meu sorriso no seu pensamento, mas eu marquei o seu. Você não estudou minhas doideiras, pelo menos não como eu estudei as suas. Você não vai chorar por mim quando me ver feliz com outra pessoa, porque você não me amou o bastante para isso. Você nunca vai rezar para que eu fique bem, porque não te interessa como eu estou. Você não me guardou em você, como eu guardei tudo que eu podia e que me era permitido. Eu guardei você como uma fotografia. Ela está no bolso do meu casaco, do lado esquerdo. Eu não posso te tirar assim, sem mais nem menos, sem uma explicação boa o bastante. Essa carta nunca será lida por você, mas por todos outros vai. Como vou explicar que você não se lembrará de mim, porque nada foi suficiente para que lembrasse?

Você nunca lerá isso, e mesmo que você tenha falado tantas e tantas vezes que amava o que eu escrevia, você não pode. Você não pode ler isso. Você não pode saber que eu me lembro de tantas coisas suas e que elas não vão embora, nem mesmo com lavagem cerebral. Você não merece saber que eu amo você, que eu desejo você e que te espero sozinha nas noites vagas. Noites que pertencem as putas, aos bêbados e aos que morrem de amor. Eu não quero ser a que morre de amor, eu não mereço fazer esse papel. Eu mereço ser a que encontra um príncipe, ou só um carinha legal que me mostrara que eu estava errada em dizer que o amor é uma bobagem feita pelo marketing para vender bombons no dia dos namorados. Eu mereço ser a que é feliz, a que beija, e não você. Você não merece estar no meu lugar. Você me magoou.

Você nunca vai ler isso. Nunca. Essa carta não é sua. Essa carta é minha. Ela apenas fala de você, e de como o seu amor me faz falta e ao mesmo me traz dor. Porque lá no fundo da alma, eu tenho esperança de que todas as coisas boas acontecem depois que superamos as ruins. Eu vou superar essa coisa triste e você nunca saberá, aliás, nunca foi do seu gênero se importa se alguém além de você estava bem.

Por fim, você nunca lerá isso. Você pode ler suas mensagens vazias de admiradores que só querem sua superficialidade, mas não isso. Você pode ler e reler suas cantadas baratas de porta de barzinho, mas não isso. A minha mais sincera carta, não merece ser lida pelo mais sincero ex-amor.  


Da sua, mas não para sempre, Ana.


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